Sei que ainda é terça-feira, mas já foram tantos os artigos sobre este tema que podemos considerar ser, pelo menos, uma das palavras da moda nesta semana. Afinal é uma das particularidades das redes sociais e da constante partilha de informação: se um tema chamar a atenção de determinados opinion makers, facilmente se torna viral.
Por estes dias, as atenções têm-se virado para a figura do "curador" ou actividade de "curadoria", também designada de agregação de conteúdos, muito devido à publicação do código de ética para esta actividade. O assunto foi abordado em blogs e órgãos de comunicação social tão díspares como Ponto Media, New York Times ou Brian Pickings. Em todos estes meios vemos a defesa da propriedade intelectual, se assim lhe quisermos chamar, na partilha de links ou reescrita de textos que se encontram pela Internet. A criação deste código de ética pretende, assim, colmatar a inexistência de regras ou guidelines para a partilha de informação:
In an age of information overload, information discovery — the service of bringing to the public’s attention that which is interesting, meaningful, important, and otherwise worthy of our time and thought — is a form of creative and intellectual labor, and one of increasing importance and urgency. A form of authorship, if you will. Yet we don’t have a standardized system for honoring discovery the way we honor other forms of authorship and other modalities of creative and intellectual investment, from literary citations to Creative Commons image rights. [Brian Pickings]
O problema com este código, evidenciado por Marco Arment, não se resume a um, mas a três aspectos, com os quais concordo: primeiro, os autores deste código pretendem que passemos a decorar e a utilizar novos símbolos que traduzem a fonte da informação que estamos a transmitir: ᔥ que significa "via/fonte" e ↬ que, sem tradução imediata para português, significa "o autor x chamou-se à atenção para este assunto". Qual o problema com estes símbolos? Para os utilizar neste texto tive de fazer copy-paste dada a inexistência de tal simbologia no meu teclado. Na instantaneidade da social web estão a ver alguém a ter este trabalho permanentemente? Eu não.
O segundo problema é bem evidenciado por Marco Arment:
The problems with online attribution aren’t due to a lack of syntax: they’re due to the economics and realities of online publishing.
De forma consciente ou não, todos acabamos por assumir que a informação que se encontra na Internet pode e deve ser partilhada se a considerarmos interessante para a nossa rede. Excepto nos casos em que os autores evidenciam explicita e visivelmente a licença "All Rights Reserved", o senso comum e as boas práticas na Internet levam-nos a partilhar a informação com um simples link inserido no texto (como abundantemente o tenho feito aqui) ou terminando o artigo com o já referido "via...".
O terceiro problema é a importância que a referenciação de autoria assume para os leitores e para os curadores: zero ou praticamente nula. Ou melhor, como leitores damos mais crédito a um artigo se incluir referências externas, mas isso não significa que vamos ler o texto original, principalmente no caso de site agregadores de notícias:
The problem isn’t whether readers can easily find the source link. The real problem is that these posts replace the need for the source link. (...) When a post is rewritten, the rewriter knows that most of the audience won’t visit the original link. That’s the point. They don’t want to send anyone away from their site. Rewriting sites (“aggregators”) will never adopt Curator’s Code in meaningful numbers because they don’t care. Whatever you think of what they do is irrelevant to them: they think it’s fine, their readers don’t care, and it seems to be legal. [Marco Arment]
Aconselho vivamente a leitura integral do artigo integral de Marco Arment sobre esta temática e deixo-vos com uma catch phrase de Matt Langer sobre este assunto:
First, let’s just get clear on the terminology here: “Curation” is an act performed by people with PhDs in art history; the business in which we’re all engaged when we’re tossing links around on the internet is simple “sharing.”






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