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segunda-feira, março 19, 2012

Ainda sobre os códigos QR

Tenho visto nas redes a utilização de códigos QR como foto de perfil e, percebendo o instinto inicial (eu própria incorporei um código QR na cover photo da página FB do blog), se analisarmos bem tal não faz muito sentido:

1. Para quem acede ao facebook/twitter através do desktop, faz mais sentido disponibilizar na página de informação os contactos para consulta imediata (duvido que haja muita gente a perder tempo a pegar no smartphone, abrir a aplicação, fazer scan ao código e só depois ter acesso a essa info);

2. Para quem acede via smartphone... Bem, a menos que tenha um segundo gadget à mão para fazer o scan, de pouco ou nada serve a disponibilização do código.

A única utilidade que consigo ver é dar ao utilizador a possibilidade de guardar de uma só vez todas as informações de contacto no smartphone (no caso de se tratar de um código com vCard). No entanto, e neste caso, acho preferível disponibilizar o QR code numa imagem secundária e não na foto de perfil, até porque a olho nu o código QR é impessoal, pelo menos os maioritariamente utilizados, o que não é o caso da Coca-cola que fez um bem criativo:

Código QR da Coca-cola, via: http://nazgulk.wordpress.com
Quando surge alguma novidade o instinto imediato é passar a usá-la e só depois analisar ao certo as funcionalidades e utilidade, mas fica aqui um exemplo de como é preferível inverter o processo.

Uma das grandes vantagens que vejo nesta tecnologia é a sua incorporação em catálogos físicos. Por exemplo, numa revista de arquitectura ou design, pode-se incorporar os contactos do arquitecto/designer (email, endereço url e outros) nas várias páginas da revista, de forma a quem estiver interessado poder imediatamente pesquisar mais informações sobre o seu trabalho.

Deixo-vos aqui alguns exemplos criativos na utilização destes códigos, via Mashable, Foxypropaganda e Awwwards.

Nota: é o primeiro artigo sobre códigos QR, mas já discuti este tema nas redes sociais, daí o titulo utilizado.

quinta-feira, março 08, 2012

A singularidade de Seth Godin

É um dos meus autores favoritos, não pelos livros (o primeiro que comprei, A Cor Púrpura, ainda aguarda na prateleira), mas pelos textos que escreve no seu blog.

Seth Godin não se assume como guru ou expert no que quer que seja e isso nota-se pela ausência de títulos como "As 10 coisas que..." ou "O que não deve fazer...". Raramente se encontram nos seus textos keywords estratégicas ou hiperligações a posts anteriores. 

De todos os autores de renome no sector do marketing, Seth Godin é provavelmente o que apresenta o blog com layout mais simples onde o texto é, de facto, o ingrediente principal. E ao invés de dar directrizes de como devemos fazer isto ou aquilo, Godin "limita-se" a chamar a nossa atenção para pormenores, relacionados com a actividade, mas também com situações do dia a dia que nos influenciam enquanto profissionais.

Por isso achei saboroso um dos seus recentes textos sobre a excessiva atenção que os autores e produtores de conteúdos dão às técnicas de Search Engine Optimization em detrimento da qualidade do conteúdo. Referindo-se a um texto de outro autor "12 Things that will kill your blog post every time" Seth Godin contradiz as directrizes com um simples argumento: 
I'm not writing to maximize my SEO or conversion or even my readership. I'm writing to do justice to the things I notice, to the ideas in my head and to the people who choose to read my work.
Olhando para a blogosfera do marketing/comunicação vejo que temos dois tipos de autores distintos: os que escrevem para ensinar e os que escrevem para nos por a pensar. Analisando em pormenor a blogosfera portuguesa, fico contente por constatar que a maioria dos autores se enquadra na segunda categoria.

PS: não quero com isto dizer que os autores de "How to..." sejam menos válidos, pelo contrário, apenas saliento a importância de podermos contar com os dois tipos e o excesso de autores anglo-saxónicos no primeiro.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Estágios Remunerados no Reino Unido

Gostariam de fazer um estágio no Reino Unido, mas não sabem por onde começar a procura? Rui Zamith e Nuno Dhiren, dois portugueses a residir no Reino Unido, gostariam de ajudar e, para isso, criaram em 2010 o website Internwise através do qual divulgam oportunidades de estágio e emprego em terras de Sua Majestade.

As ofertas listadas direccionam-se a diferentes profissionais desde designers, fotógrafos, programadores ou marketers. Curiosamente, (e digo curiosamente por ser a minha área) a homepage do website está repleta de oportunidades para comunicadores.

Aproveitem as oportunidades enquanto as há!

Mais info:

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Como preparar uma reunião de vendas?

É uma das profissões menos amadas em Portugal e que normalmente só é escolhida por falta de alternativas: comercial. Por ano, são às centenas os licenciados em marketing, gestão e áreas afins, mas a opção por uma carreira na área comercial é quase sempre descartada, principalmente quando o trabalho implica andar de porta em porta (D2D) ou fazer chamadas comerciais 8h por dia.

Apenas duas áreas especificas da carreira comercial têm aliciado os jovens profissionais: a de delegado de informação médica (DIM), pelas perspectivas salariais e benefícios associados, e a de gestor de comércio internacional, por ser uma área em crescimento e mais exigente do que bater à porta dos clientes.

Curiosamente ou não, em alturas de crise e desemprego crescente, grande parte das oportunidades de emprego são precisamente na área comercial. Uma rápida pesquisa pelos sites de emprego, verificamos que cerca de 2/3 das ofertas relacionadas com marketing/comunicação/comércio/ administração/secretariado têm as palavras "comercial" ou "gestor de clientes" no título e que a competência "forte orientação comercial e para os resultados" é quase sempre exigida.

Para os que ambicionam apostar nesta carreira ou pretendem simplesmente considerar esta opção numa altura em que o trabalho escasseia, o site Inc. deixa algumas dicas de como gerir reuniões comerciais:


Boa sorte!

domingo, fevereiro 05, 2012

Qual o impacto dos anúncios milionários do Super Bowl?

É já nesta madrugada de Domingo para Segunda que são revelados os comerciais mais caros do ano, uma pechincha de 3,5 milhões de dólares por 30 segundos.

A pergunta que todos os gestores querem ver respondida é: valerá a pena o investimento? Os milhões de visualizações, em directo e posteriormente no YouTube, têm impacto? Em termos de notoriedade certamente terão, mas e em vendas? O buzz em torno da marca resume-se aos dias/semanas posteriores ao Super Bowl ou alastra-se por todo o ano?

O blog Business Insider dá a resposta relativa aos spots mais memoráveis de 2011: o da VW e o seu miúdo que procura dominar a "força", o da Chrysler com a intrínseca ligação à cidade de Detroit e, não menos memorável embora pelas piores razoes, o da Groupon e o seu desastre de PR com a gaffe do Tibete.

Em termos de retorno financeiro, a WV foi a destacada campeã e vai repetir a fórmula mágica novamente este ano. Quanto à Chrysler, o seu spot contribuiu mais para o crescimento da cidade de Detroit, mas as vendas do modelo publicitado ficaram aquém das expectativas. Contudo, fica a questão (não respondida pelo artigo), de qual o impacto global na empresa, fruto do posicionamento que marcou com o spot.
Quanto à Groupon, os resultados foram bem imediatos e bastante visíveis, com consequências na reputação da empresa.

Podem conferir os dados aqui.

segunda-feira, janeiro 30, 2012

A ditadura do consumidor

Tive conhecimento através do facebook da Estrela Serrano que a FNAC decidiu retirar a campanha que tem dado que falar nos últimos dias. Em causa, está uma campanha de troca de livros em que se lia num dos placards promocionais o mote “Troque os Maias pela Meyer”.

Só tive conhecimento da campanha pelo facebook e, achando de mau gosto ver da mesma frase Eça e Meyer, a minha reacção ficou por aí. No meu gosto por literatura, Eça está a anos luz de Meyer e nunca faria essa troca, mas a bem da verdade repudio livros, filmes e afins que toquem na nova vertente do tema vampiresco. Tirando isso, até considerei a campanha em si interessante. Se é verdade que os 5€ pouco mais dão para comprar do que livros de bolso, é também verdade que é uma excelente forma de arranjar espaço na estante para novos livros. É a vertente comercial do bookcrossing, mas com o mesmo intuito para o consumidor: encontrar novas obras para enriquecimento cultural.

Durante o fim de semana, comecei a ver no feed do facebook inúmeras partilhas de links, textos de blogs e comentários a criticar a campanha da FNAC, uma nova avalanche de indignação perante a acção de uma marca. Como não me considero guru de coisa alguma, deixo apenas a minha opinião sobre este caso, replicando os comentários que deixei no mural da Estrela Serrano:

"Infelizmente as redes são usadas para críticas menos sérias. Se é verdade que o caso Ensitel mais que mereceu a revolta nas redes uma vez que tinha contornos de limitação da liberdade de expressão, com tribunais à mistura, qualquer um de nós sabe que no caso da FNAC o intuito foi somente utilizar a semelhança fonética dos autores/títulos, numa campanha que beneficiava consumidor e a AMI. De qualquer forma, as redes sociais também funcionam um pouco como a "ditadura" do consumidor perante a marca e o melhor que a FNAC tinha a fazer era cortar o mal pela raiz e fazer um comunicado, tal como o fez. (...)"

"A FNAC tirou partido de uma semelhança fonética e da popularidade da saga dos vampiros para vender, disso não há dúvidas, mas continuo a achar que se extrapolou em demasia o significado desta campanha. Em última análise, não compete à FNAC classificar um autor como clássico ou popular ou como sendo mais ou menos digno da atenção do leitor. A FNAC é um distribuidor e quer vender e se dá mais ou menos destaque a um autor é porque (1) é paga pela editora para isso e (2) porque tem projecção de maior venda/lucros e isso é ditado pelo consumidor. Usar esta campanha para dizer que a FNAC procurou denegrir a cultura portuguesa face a uma leitura mais popular é, na minha opinião, exagerado."

terça-feira, dezembro 27, 2011

Tendências no Marketing Digital e Tecnologia para 2012

Ontem publiquei aqui um vídeo que passa em revista os números e factos relativos ao Mobile Marketing que marcaram 2011.

Como era esperado (ou não estivéssemos na altura dos balanços e previsões), não tardou para que me aparecessem nos feeds as previsões para 2012, concretamente na área do Marketing Digital e Tecnologia.

O blog TopRank não só faz as suas previsões, como disponibiliza diversos documentos de outras fontes, que nos ajudarão a antecipar e prever melhor o que o próximo ano nos reserva.

Para ler, aqui.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Fidelização para totós!

Antes de mais, desculpem a insistência no tema, mas deparo-me com situações que não posso deixar de comentar.
Como já disse aqui e aqui, faz-me imensa confusão o diferencial de investimento e atenção a novos clientes vs clientes actuais. Já não bastava isto e agora vemos iniciativas em que as marcas "cobram" aos clientes a satisfação dos desejos destes.

Desta vez não vou referir nomes porque se trata de uma empresa nova, local e não é meu intuito prejudicar a boa reputação que a marca está a ter neste início de actividade. Mas como cliente regular não fiquei muito contente com o recente update na página do facebook e passo a citar:

"Podemos pensar em abrir uma excepção para este Domingo... :) abrir no Domingo e fechar na Segunda... E se puséssemos um desafio aos nosso fans: se atingirmos os 4000 fans estamos abertos esta semana abrimos Domingo em vez de Segunda?"

Ou seja, em vez de implementar uma medida que agradaria aos seus clientes (para considerarem esta hipótese, acredito que tenham tido solicitações nesse sentido), condicionam essa acção com o trabalho de RP e promoção que os fãs deverão fazer à marca. Mais: não basta nos pedirem para trabalharmos para eles, como ainda esperam resultados quantitativos (neste momento faltam-lhes 400 fãs para os 4000).

Deixo ainda uma pergunta: acham mesmo que os novos 400 fãs vão ser os que vão aparecer no Domingo se estiverem abertos? Fico ainda mais espantada quando há previsão de chuva e no café em questão não caberem mais de 15 pessoas sentadas à mesa.

terça-feira, dezembro 13, 2011

Assim se fidelizam clientes (Super Bock strikes back)

Na semana passada escrevi um texto sobre a falta de engagement de algumas marcas portuguesas e portuenses, nomeadamente Optimus e Super Bock. Nesse texto, salientei que, apesar de terem maioritariamente clientes no Norte, estas marcas apostam em grandes eventos e acções de marketing dirigidas ao público da Grande Lisboa.

Escrevi o texto na perspectiva profissional/académica, mas a sequela da história foi protagonizada por um cliente fiel da marca de cerveja, orgulhosamente bairrista e defensor dos interesses do Norte. Lendo o texto, velhos sentimentos foram acordados e o ímpeto de agir foi tal que enviou um email à Super Bock a expor a sua indignação com a desconsideração da marca para com os seus fieis clientes.

1.º Round: A Super Bock, como gigante cervejeiro que é, não ignorou o email e enviou a resposta-tipo, algo do género "Caro cliente, agradecemos a sua mensagem que será devidamente analisada...".

2.º Round: O cliente, se já estava indignado, conseguem imaginar a reacção a esta resposta. Mas, ao contrário dos 99% de consumidores comuns, a reacção não se ficou por pontapés no ar e lançamento de palavras menos próprias. Não, este fiel e activo cliente enviou novo email ainda mais revoltado a dizer algo como: "Resposta automática não! Demorem 3 meses a responder, mas resposta automática é que não!".

3.º Round (convém esclarecer que esta troca de emails e posterior resposta que vou de seguida mencionar ocorreram num espaço de poucas horas): Novo email da Super Bock? Não. A Direcção de Apoio ao Cliente retribui com uma chamada (sim, chamada telefónica) a dizer, muito cordialmente e pacificadora, que não foi resposta automática "Fui mesmo eu que escrevi" e que o email tinha sido reencaminhado para a Direcção de Marketing porque, de facto, continha propostas interessantes e que, mal tivessem uma resposta, o cliente seria prontamente contactado.

Duas palavras: Knock down.

Do ponto de vista deste cliente, a Super Bock pode nunca mais organizar um evento no Porto e até mudar a sede para Lisboa que ele não beberá outra cerveja. Digo-vos, com toda a certeza, que esta resposta imediata, personalizada, pessoal! teve mais resultados na fidelização deste cliente do que qualquer publicidade, brinde oferecido ou patrocínio de evento. Custo? Provavelmente nenhum, que a marca deve ter um plano de minutos considerável.

A chamada até pode ter sido feita pela estagiária do call center da Super Bock. Não importa. A importância que a marca deu a este cliente, a atenção que prestou às suas mágoas fidelizou-o para a vida e, escusado será dizer, que a história foi pessoalmente transmitida a todos os familiares e amigos com que se cruzou nesse dia.

Ao longo dos anos fui acredidando cada vez mais nesta ideia: consumidores = massificação / clientes = personalização. As mensagens publicitárias massificadas continuam a ter o menor custo por contacto e são necessárias numa estratégia de marketing e comunicação, principalmente na conquista de novos clientes, mas ouvir o cliente e tratá-lo como uma pessoa e não somente como um número continua a ser uma das acções mais bem conseguidas.

Um consumidor (futuro cliente da marca) ou um cliente não fidelizado não se dá ao trabalho de enviar um email, nem tão pouco fica tão indignado com as acções desenvolvidas pelas marcas. Comenta com os amigos no café, até pode escrever na página do facebook, mas fica por aí. Mas enviar um email pessoal, com os contactos pessoais, é outro campeonato. Um cliente fiel, que promove a marca como sendo "a melhor do mundo" tem de ser mimado (termo que ouvi no Upload Lisboa e que faz tão sentido) e nesse vale a pena investir.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

A miopia das redes sociais

Não é um tema novo e já foi alvo de inúmeros posts. Já em 2009 vi uma apresentação de Seth Godin em que o autor desvalorizava os números associados a uma presença online, quer se tratassem de visitas a um site, número de seguidores no twitter, visualizações de vídeos no youtube ou likes no facebook. A ideia que retenho até hoje é esta: "Measuring hits to your website, it doesn't translate. What translate is: Are their people out there I’d go out of my way for, and would they go out of their way for me? That's what you need to keep track of. And the way you get there is by going out of your way for them and by earning the privilege of one day have that connection being worthwhile."

Num recente texto, Seth Godin vai mais além e fala mesmo de ruído nas redes: "...we're told to make that number go up. Increase the number of fans, friends and followers, so your shouts will be heard. The problem of course is that more noise is not better noise." E acrescenta outro conceito, já conhecido na área do marketing e defendido pelo author: tribos ou, se preferirem, nichos de mercado: "you're wasting your time when you could be building a tribe instead, could be earning permission, could be creating a channel where your voice is actually welcomed."

No entanto, e apesar de repetidas até à exaustão, estas ideias parecem não terem ainda entrado na mente de muitos profissionais. Quem já não recebeu convites no facebook para gostar de páginas ou ir a eventos que não nos dizem absolutamente nada? Ou deparou-se com páginas no facebook com milhares de likes e praticamente nenhuma interacção? O que mais me espanta nesta rede é a quantidade de páginas que se limitam a ser um repositório de feeds de um blogue, sem nada mais a acrescentar e, no entanto, são seguidas por centenas e milhares de fãs.

Compreendo que no momento de lançamento se enviem convites em massa. Afinal, se ninguém souber que existe, não há público e, sejamos sinceros, desconfia-se sempre de uma página com 12 fãs ou de um usuário no twitter com 5 seguidores. Mas depois do momento de lançamento, depois de alguma promoção, acredito que seja mais proveitoso, tal como defende Godin, a trabalhar e investir num nicho do qual se retira proveito (vendas, word of mouth ou simplesmente troca de ideias) do que focar a nossa atenção em números fantasmas. Com bem afirma Seth Godin: "Leadership (even idea leadership) scares many people, because it requires you to own your words, to do work that matters. The alternative is to be a junk dealer."

sexta-feira, dezembro 09, 2011

De Braga, com orgulho.


Não podia deixar de (re)partilhar esta imagem, originalmente publicada pelo Fernado Moreira de Sá e, posteriormente, pelo Nuno Gouveia.

Os bracarenses (e não só) podem usar este desenho comprando uma das t-shirts oficiais Braga 2012: Capital Europeia da Juventude.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Branstorming ao chá

Nestes dias de inverno sabem bem as bebidas quentes e, muitos concordarão comigo, não há melhor do que uma chávena de chá a aquecer as mãos. 
Trabalho num openspace pequeno e, não existindo forma de aquecer água, optei há já alguns anos (já no anterior emprego) por comprar uma daquelas garrafas térmicas para líquidos e trazer o chá de casa. Para não andar carregada com canecas e uma vez que a empresa disponibiliza aquelas máquinas de água que têm copos de plástico, tenho o problema resolvido.

Hoje, na hora do chá matinal, enquanto sentia o chá quente a aquecer as tubagens, entrei num daqueles momentos de abstracção da realidade, em que desaparecemos por breves segundos e fixamos o olhar num ponto aleatório. Quando deu o click e regressei ao meu posto de trabalho o ponto que tinha fixado era precisamente o fundo do copo. Reparei numas letras que estavam gravadas no plástico e, como qualquer ser humano curioso num momento de ociosidade, tentei perceber o que estava lá escrito. Até que reparei que as letras estavam ao contrário, ou seja, tinham sido gravadas para serem lidas do lado de fora do copo e não a partir do seu interior e pensei: que estupidez! Não devem haver muitas pessoas interessadas a olharem para o lado de fora do fundo do copo quando vão tirar um para beber água. Os poucos segundos de atenção que a marca dispõe para se dar a conhecer são precisamente aqueles que levamos a beber a água ou, no meu caso, o chá. E isto se o consumidor reparar sequer nas letras gravadas no copo. Lá tive eu de fazer ginástica mental para conseguir ler o link do website do fabricante e terminar de beber o chá para poder confirmar.

Estava num momento de ócio. Caso contrário, como em inúmeras ocasiões anteriores, bebia o chá a olhar para o computador e o copo seguia directo para o lixo (ok, para o lixo só vai ao final do dia porque o bule de chá dá para umas 4 doses).

Em quase 2 anos nesta empresa, foi a primeira vez que reparei na gravação, mas foi o suficiente para insultar o fabricante por me obrigar a ginástica mental num momento de descontracção.

Com este simples exemplo, ponho-me a pensar: exceptuando as grandes empresas que possuem gigantescos orçamentos de marketing e I&D para testes de produto e pesquisa de mercado, quantas pequenas empresas, tal como a Intraplás, se dão ao simples "trabalho" de utilizar o produto que pretendem comercializar? Testar a sério, não apenas o seu uso principal (neste caso beber água), mas também pormenores como a direcção do texto gravado? 

Timing para envio de newsletters

Recebi ontem no email esta newsletter de "Guimarães 2012: Capital Europeia da Cultura (GCEC)". O evento que estão a promover até me suscitou interesse, trata-se da "recriação do conto épico de Homero no qual Juliette Prillard e a companhia “La Fabrique des Arts d’à Côté” usam máscaras trágicas, marionetas, teatros de gestos e de imagens para narrar as aventuras de Ulisses".

O problema é quando olho para a data do evento: 9 e 10 de Dezembro. Mas está tudo doido? Em pleno mês de Dezembro, altura de jantares de Natal de empresas, amigos, família e afins enviam uma newsletter ao dia 6 para um evento que vai acontecer 3 dias depois?

Percebo porque despediram a Presidente do Conselho de Administração da Fundação Cidade de Guimarães que recebia qualquer coisa como 14 mil euros (sim, 14 mil euros...), mas parece que a organização ainda padece de alguns males.

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[Actualização]

Dou a mão à palmatória e confesso que quando vi ontem a newsletter pensei como consumidora e não como profissional. De facto, a newsletter enviada ontem, dia 6 de Dezembro, não foi a única a comunicar este evento, embora tenha sido a edição especial, ou seja, dedicada exclusivamente a este espectáculo.
Assim, as outras newsletters que divulgaram o evento foram enviadas a 18 de Outubro e a 30 de Novembro. Depois da adenda, uma nota: assinei a newsletter de GCEC desde o número 1, mas como recebo algumas dezenas de newsletters por semana, confesso que apenas vejo com atenção a notícia em destaque e olho de relance, quando olho, para as notícias secundárias. Por isso não reparei na promoção do espectáculo nas duas edições referidas, por ter sido comunicado sempre como notícia secundária. Acredito que teria tido outro impacto se dessem o destaque numa edição anterior como fizeram, por exemplo, na edição de 30 de Novembro em que a noticia principal é de um evento a 14 de Dezembro (posterior à recriação da Odisseia de Ulisses). De qualquer forma, erro meu de só confirmar a informação depois de escrever o texto.

terça-feira, dezembro 06, 2011

A Optimus, a Super Bock e o Norte

Confesso que me custa a perceber as estratégias de algumas marcas. Muito mais me custa a entender a diferença abismal de estratégias para novos clientes versus clientes actuais.

A Optimus é uma marca do Norte. E não digo isto por pertencer a um grupo com sede no Norte, mas em termos de mercado a maior fatia de receitas da marca provém de clientes a Norte. Não vos sei precisar número exactos, mas tenho familiares que trabalham e já trabalharam na empresa e me forneceram este insight (não fosse a Sonae/Sonaecom um dos maiores empregadores da região). Certamente nem precisaria destes contactos, se me der ao trabalho de pesquisar deve haver algures na Internet esta informação. Só para terem uma ideia, a loja da Optimus do Norteshopping (um dos, se não o Shopping da Sonae mais lucrativo do país) é que apresenta o maior volume de facturação de todas as lojas Optimus em Portugal.

No entanto, ano após ano, vemos iniciativas como esta e não posso deixar de sentir que a marca, tal como outras, ignora completamente o seu público-alvo e, pior, os seus actuais clientes. Ainda para mais, este ano recebemos a triste notícia que não haverá iluminações natalícias na cidade Invicta e penso: mas que grande oportunidade para uma acção de marketing! Mas não, optam por Lisboa, onde a concorrência é líder, e esquecem-se de quem lhes dá o lucro.

Mas não é a única. Aliás, há uma iniciativa que Optimus e Super Bock (outra marca do Norte com maior quota de mercado a Norte) partilham: festivais de Verão a Sul. À Super Bock ainda dou um desconto: durante alguns anos teve as duas edições - Porto e Lisboa - e se deixou a primeira é porque certamente dava prejuízo (o que também é contestável, dado que o cartaz de Lisboa tinha, normalmente, as bandas/artistas que chamavam mais público, sem falar que esse evento surgiu numa altura em que ainda não se vivia em Portugal a febre dos festivais de Verão). Por outro lado, a marca compensa porque, nas suas comunicações, a Super Bock vai mimando os clientes, filmando os seus comerciais em lugares emblemáticos da Invicta, colocando cartazes alusivos ao clube da terra ou a eventos locais.

No caso da Optimus não é assim. Apostam em eventos no Sul, fazem anúncios publicitários no Sul, iluminam a noite lisboeta. A excepção (acusem-me se me estiver a falhar a memória) é o Optimus Clubbing que, ao contrário da edição nortenha do "Super Bock Super Rock", é um sucesso e costumava esgotar os bilhetes com alguma antecedência. Será que o público nortenho não gosta de rock/pop? Não somos bons "clientes musicais" para eventos como o "Optimus Alive"? Ou simplesmente não somos clientes lucrativos? Não sei, mas numa época em que o "engagement" é uma das palavras fortes do sector, custa-me ver que as marcas ainda consideram que custa menos conquistar novos clientes do que manter os actuais.

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Dicas para uma boa estratégia de PR

"In short: No one cares about your story the way you're telling it."

Esta é a constatação feita por @jeff_haden no seu post em Inc.com: muitas das histórias que as marcas/empresas/personalidades enviam para as redacções contêm dois erros comuns: focam no que estas querem e o objectivo principal é conseguir publicidade para o produto/serviço.

Vale a pena ler o artigo completo, porque contém vários pontos de vista interessantes, mas deixo-vos aqui três aspectos a terem em conta no momento de contarem uma história:

Primeiro, esqueçam o que querem. Muitos PRactitioner (como gosta de escrever o Rodrigo Saraiva) enviam notas de imprensa para as redacções e opinion makers (como bloggers) onde apenas focam o ponto de vista dos clientes, sem comunicar os benefícios do produto/serviço para os consumidores. Como diz Jeff Haden "eu não vou escrever uma peça fabulosa sobre o vosso produto. Foquem, em vez disso, como os leitores podem beneficiar da história (e não, aprender sobre o seu novo produto não é um benefício para os leitores)."

Segundo, pensem sobre o que os gate keepers querem. Justifica Haden: "Não, isso não é tudo sobre mim. É tudo sobre a informação e, ocasionalmente (espero) entreter os leitores. Quanto mais poder me ajudar a conseguir esse objectivo, mais interessado eu fico."

Em seguida, "vejam a publicidade como um objectivo secundário. Contornem esse objectivo e concentrem-se apenas em perceber como pode beneficiar os seus leitores. Quando o fizer, sua empresa irá beneficiar por extensão."

Apenas uma nota sobre o primeiro ponto: percebendo o que Haden quer transmitir, acredito que ensinar a usar um produto (especialmente se for algo tecnologicamente complicado ou que fuja à usabilidade comum) pode ser o objectivo comunicacional. Certamente que não será para enviar para as redacções, mas sim para publicar no blog corporativo, página do facebook ou noutros meios de comunicação directa entre as marcas e seus clientes.

Podem ler o resto do artigo aqui

segunda-feira, novembro 28, 2011

Black Friday e Cyber Monday à moda tuga

Quem está a par das novidades no mundo tecnológico foi arrebatado nos últimos dias com notícias e partilha de links nas redes sociais sobre os mais variados descontos em artigos tech (e não só). Como certamente saberão, esta é mais uma das tradições americanas importadas nos últimos anos para o nosso país. Se acho um pouco parvo e sem interesse a adopção de datas tais como o Dia das Bruxas, neste caso consigo perceber o interesse para os retalhistas e consumidores portugueses: os primeiros escoam stocks e os segundos poupam alguns trocos, bem a tempo das compras de Natal.

Há apenas um senão: timming! Confesso não ter a certeza de como funciona nos States, mas no Reino Unido, tal como em outros países europeus, os ordenados são pagos semanalmente e não no final do mês como acontece connosco. Mesmo que nos EUA seja como em Portugal, esta prática está tão enraizada na cultura americana que quem utiliza estas promoções para adquirir novos gadgets já se previne e coloca algum dinheiro de lado para gastar por estes dias.

Agora, em Portugal não é bem assim. A grande maioria dos portugueses recebe entre o dia 30 e o dia 8, com a principal excepção dos funcionários públicos que normalmente recebem a partir do dia 25. Ora, nos últimos dias do mês de Novembro não há muito dinheiro a circular nas contas bancárias e, o que há, é certamente a sair e não a entrar. Com o corte de 50% no subsídio de Natal e sua supressão para a função pública nos próximos anos, com os ordenados a serem nivelados por baixo, impostos a aumentar e outras medidas anunciadas não vejo muita disponibilidade orçamental para estas promoções.

Como disse anteriormente, eu percebo e sou adepta deste tipo de iniciativas, apenas acho que o sector do comércio podia ajustar o timming para a realidade portuguesa. Em termos de marketing e promoção, não vejo entraves, pelo contrário: aproveitam as notícias sobre as promoções nos Estados Unidos para terem os consumidores alertas e uma semana depois anunciavam as suas promoções, já com o ordenado e subsídio de Natal na carteira dos portugueses. 

Fica aqui a sugestão.

[sei que algumas cadeias de retalho fizeram recentemente promoções semelhantes - como a Media Markt e a oferta do valor do IVA que decorreu há cerca de duas semanas - mas gostava de ler algo sobre o volume de vendas nestas campanhas no final do mês. Não em termos globais, mas o valor de compras por cliente. Tenho a impressão que a maioria se atropelou nas caixas registadoras para poupar 5€ num jogo para a PS3]

quarta-feira, novembro 23, 2011

Fazer negócios no Facebook

Poucas dúvidas existem hoje em dia sobre as potencialidades das redes sociais para impulsionar um negócio, principalmente se trabalhamos por conta própria. Contudo, o principal desafio continua a ser o mesmo: saber como usar as redes para fomentar negócios.

Pelo menos no caso dos fotógrafos profissionais, o fotógrafo de casamento Craig Finlay parece ter encontrado a resposta: publicar algumas fotografias na sua página, identificar os noivos nas mesmas e esperar que a rede trate do resto.

Como? Simples: ao identificar os noivos nas fotografias, estas começaram a aparecer nos respectivos murais e, consequentemente, no stream dos convidados. Sempre que um convidado se identificava a si próprio na fotografia, o processo repetia-se e uma única fotografia passava a aparecer em centenas de murais e streams no Facebook.

Com um simples tag, cada convidado presente no casamento estava a promover os serviços fotográficos de Craig Finlay, uma vez que cada fotografia continha a marca de água do fotógrafo.

Esta acção de marketing teve ainda um bónus: como num casamento a média de idades coincide com as dos noivos (tradicionalmente, na faixa etária dos 20 aos 30 anos), a maioria dos convidados pertence ao segmento de mercado que um fotógrafo de casamentos pretende alcançar: noivos ou futuramente noivos.

Como se vê, uma boa estratégia de marketing nem sempre implica grande investimento financeiro, mas criatividade e ideias é fundamental.

Podem ler a história completa aqui.


terça-feira, novembro 22, 2011

Place Marketing & Foursquare

É sempre bom ver que o nosso trabalho de investigação está no caminho correcto e, acima de tudo, ver a aplicabilidade do mesmo.

Na concepção de uma estratégia de Web marketing para a Região do Minho (tema da minha Dissertação de Mestrado), uma das sugestões que deixei foi o desenvolvimento de aplicações que recorressem à georeferenciação para dar a conhecer aos visitantes e moradores, não só os pontos de interesse da região (já existem algumas apps de terceiros para isso), mas também eventos culturais e científicos, actualizados diariamente.

É com agrado que vejo o Presidente da Câmara de Tampa (Estados Unidos) a articular esta ideia com o foursquare:

"Relying on the lists feature that foursquare provides, Mayor Bob Buckhorn and his office have generated expansive lists of things to do, see, and follow in Tampa, including city parks, attractions, dining and shopping, government buildings and public safety."

O resto da história encontram neste link.

quarta-feira, novembro 16, 2011

Benetton e o Papa

Já todos estamos habituados às campanhas polémicas e provocadoras da marca Benetton, mas serei a única a achar que desta vez colocaram a provocação à frente da mensagem? Não estão as prioridades um pouco trocadas nesta última campanha?

Não me entendam mal: não sou católica devota nem contra a homossexualidade. Mas acho que há limites e um dos mais importantes é o respeito pelos outros.

A minha única questão é: para promoverem a paz no mundo e o fim de divergências políticas e religiosas é mesmo necessário focar a homossexualidade? Estão-me a dizer que a única forma das duas Coreias se entenderem é com intimidade entre os seus lideres? A meu ver, a mesma mensagem tinha passado na mesma (mas claro que sem tanto buzz) se ao invés do beijo houvesse um aperto de mão ou um abraço, por exemplo.

Mas neste caso vou mais longe e foco uma imagem em particular: a imagem que envolve o Papa. Colocarem a Merkel e o Sarkozy aos beijos até tem piada e acredito que nenhum dos dois se tenha sentido ofendido, mas a imagem do Papa extrapola o bom senso e respeito pelas convicções de cada um.

A polémica foi tanta que o cartaz que estava perto do Vaticano já foi retirado, tal como a fotografia no website da campanha. Neste caso, tenho de concordar com as palavras do porta-voz do Vaticano Federico Lombardi:

"We must express the firmest protest for this absolutely unacceptable use of the image of the Holy Father, manipulated and exploited in a publicity campaign with commercial ends. This shows a grave lack of respect for the pope, an offence to the feelings of believers, a clear demonstration of how publicity can violate the basic rules of respect for people by attracting attention with provocation.”

Há publicidade, há provocação e depois há simplesmente desrespeito pelas crenças e convicções dos visados.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Google Catalogs

E que tal agrupar as ideias para prendas de Natal numa única aplicação? E se ao invés de perdermos tempo a escrever descrições, preços e nome da loja fosse possível, de forma simples e interactiva, pegar na fotografia de um catálogo e fazer zoom para ter acesso a mais informações, encontrar com um click a loja mais próxima, criar uma colagens com os artigos favoritos e poder partilhar isso com um familiar ou um amigo?

Tudo isso é possível com a aplicação para tablets Google Catalogs. A má notícia é que apenas se encontra disponível para utilizadores norte-americanos, sendo no entanto possível aceder à aplicação para iPad se tivermos uma conta americana (embora seja provável que se percam algumas funcionalidades, como pesquisa por lojas mais próximas, mas como não possuo um tablet não o posso confirmar).

Este projecto da Google nasceu em Agosto, mas estranhamente só hoje me apareceu nos feeds. Trata-se de uma aplicação que permite navegar pelos catálogos de várias marcas e interagir com o conteúdo. Como se pode ser no blogue da Google:

With Google Catalogs, you can:

- Interact: Zoom in to see products up close, tap on tags to learn more about an item or, in some catalogs, view inspiring photo albums and videos.
- Find products in nearby stores: When an item catches your eye, instantly find it in a store near you or tap “Buy on Website” to visit the merchant online.
- Express your creativity: Create a collage of your favorite catalog pages and products. If you need inspiration, you can check out collages created by others.
- Share with friends: Email a product or collage to all your shopping buddies.
- Get instant access to new catalogs: Add catalogs to your Favorites and get notified each time a new issue arrives.
- Discover new products and brands: Search for products within or across multiple catalogs to find exactly what you’re looking for.

Actualmente, a plataforma conta já com mais de 100 marcas e 300 números, podendo a lista completa ser vista aqui.

Com a propagação dos tablets e o seu preço a descer (ainda hoje a Barnes and Noble anunciou o seu 
NOOK Tablet), as marcas podem e devem apostar cada vez mais neste tipo de aplicações interactivas, que não só permitem uma pesquisa cómoda e divertida para os consumidores, como também aumentam a informação disponível sobre cada produto.