Nestes dias de inverno sabem bem as bebidas quentes e, muitos concordarão comigo, não há melhor do que uma chávena de chá a aquecer as mãos.
Trabalho num openspace pequeno e, não existindo forma de aquecer água, optei há já alguns anos (já no anterior emprego) por comprar uma daquelas garrafas térmicas para líquidos e trazer o chá de casa. Para não andar carregada com canecas e uma vez que a empresa disponibiliza aquelas máquinas de água que têm copos de plástico, tenho o problema resolvido.
Hoje, na hora do chá matinal, enquanto sentia o chá quente a aquecer as tubagens, entrei num daqueles momentos de abstracção da realidade, em que desaparecemos por breves segundos e fixamos o olhar num ponto aleatório. Quando deu o click e regressei ao meu posto de trabalho o ponto que tinha fixado era precisamente o fundo do copo. Reparei numas letras que estavam gravadas no plástico e, como qualquer ser humano curioso num momento de ociosidade, tentei perceber o que estava lá escrito. Até que reparei que as letras estavam ao contrário, ou seja, tinham sido gravadas para serem lidas do lado de fora do copo e não a partir do seu interior e pensei: que estupidez! Não devem haver muitas pessoas interessadas a olharem para o lado de fora do fundo do copo quando vão tirar um para beber água. Os poucos segundos de atenção que a marca dispõe para se dar a conhecer são precisamente aqueles que levamos a beber a água ou, no meu caso, o chá. E isto se o consumidor reparar sequer nas letras gravadas no copo. Lá tive eu de fazer ginástica mental para conseguir ler o link do website do fabricante e terminar de beber o chá para poder confirmar.
Estava num momento de ócio. Caso contrário, como em inúmeras ocasiões anteriores, bebia o chá a olhar para o computador e o copo seguia directo para o lixo (ok, para o lixo só vai ao final do dia porque o bule de chá dá para umas 4 doses).
Em quase 2 anos nesta empresa, foi a primeira vez que reparei na gravação, mas foi o suficiente para insultar o fabricante por me obrigar a ginástica mental num momento de descontracção.
Com este simples exemplo, ponho-me a pensar: exceptuando as grandes empresas que possuem gigantescos orçamentos de marketing e I&D para testes de produto e pesquisa de mercado, quantas pequenas empresas, tal como a Intraplás, se dão ao simples "trabalho" de utilizar o produto que pretendem comercializar? Testar a sério, não apenas o seu uso principal (neste caso beber água), mas também pormenores como a direcção do texto gravado?






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