terça-feira, dezembro 06, 2011

A Optimus, a Super Bock e o Norte

Confesso que me custa a perceber as estratégias de algumas marcas. Muito mais me custa a entender a diferença abismal de estratégias para novos clientes versus clientes actuais.

A Optimus é uma marca do Norte. E não digo isto por pertencer a um grupo com sede no Norte, mas em termos de mercado a maior fatia de receitas da marca provém de clientes a Norte. Não vos sei precisar número exactos, mas tenho familiares que trabalham e já trabalharam na empresa e me forneceram este insight (não fosse a Sonae/Sonaecom um dos maiores empregadores da região). Certamente nem precisaria destes contactos, se me der ao trabalho de pesquisar deve haver algures na Internet esta informação. Só para terem uma ideia, a loja da Optimus do Norteshopping (um dos, se não o Shopping da Sonae mais lucrativo do país) é que apresenta o maior volume de facturação de todas as lojas Optimus em Portugal.

No entanto, ano após ano, vemos iniciativas como esta e não posso deixar de sentir que a marca, tal como outras, ignora completamente o seu público-alvo e, pior, os seus actuais clientes. Ainda para mais, este ano recebemos a triste notícia que não haverá iluminações natalícias na cidade Invicta e penso: mas que grande oportunidade para uma acção de marketing! Mas não, optam por Lisboa, onde a concorrência é líder, e esquecem-se de quem lhes dá o lucro.

Mas não é a única. Aliás, há uma iniciativa que Optimus e Super Bock (outra marca do Norte com maior quota de mercado a Norte) partilham: festivais de Verão a Sul. À Super Bock ainda dou um desconto: durante alguns anos teve as duas edições - Porto e Lisboa - e se deixou a primeira é porque certamente dava prejuízo (o que também é contestável, dado que o cartaz de Lisboa tinha, normalmente, as bandas/artistas que chamavam mais público, sem falar que esse evento surgiu numa altura em que ainda não se vivia em Portugal a febre dos festivais de Verão). Por outro lado, a marca compensa porque, nas suas comunicações, a Super Bock vai mimando os clientes, filmando os seus comerciais em lugares emblemáticos da Invicta, colocando cartazes alusivos ao clube da terra ou a eventos locais.

No caso da Optimus não é assim. Apostam em eventos no Sul, fazem anúncios publicitários no Sul, iluminam a noite lisboeta. A excepção (acusem-me se me estiver a falhar a memória) é o Optimus Clubbing que, ao contrário da edição nortenha do "Super Bock Super Rock", é um sucesso e costumava esgotar os bilhetes com alguma antecedência. Será que o público nortenho não gosta de rock/pop? Não somos bons "clientes musicais" para eventos como o "Optimus Alive"? Ou simplesmente não somos clientes lucrativos? Não sei, mas numa época em que o "engagement" é uma das palavras fortes do sector, custa-me ver que as marcas ainda consideram que custa menos conquistar novos clientes do que manter os actuais.

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