quinta-feira, janeiro 06, 2011

O poder de um nome (actualizado)

É uma das notícias do dia, o nascimento de uma nova agência de comunicação. O projecto de João Villalobos e Fernando Fonseca ganha, logo à partida, com o nome. Não sei se a ideia surgiu de um brainstorming conjunto ou se já conheciam a sua homónima americana, mas é um nome fantástico pelas conotações associadas: News Peak (ponto alto das notícias ou, forçando um pouco mais a tradução, primetime televisivo), New Speak (novo discurso) ou mesmo News Speak (discurso noticioso). Todas estas conotações se associam brilhantemente a uma agência de comunicação.
Mas não posso deixar de sorrir quando descubro um significado mais "obscuro": Newspeak é nada mais nada menos do que a língua inventada por George Orwell no seu aclamado livro 1984 (para mim, o livro que deu o mote aos programas Reality Shows). Esta língua foi criada pelo ditador e nela só constavam palavras dicotómicas, numa tentativa de eliminar todos os significados possíveis das palavras. Em momentos de desespero, não será um desejo inconsciente dos protagonistas, eliminar os significados das palavras de forma a tornar impossível a má interpretação do seu discurso? (Eu que o diga...)
Não deixa de ser engraçado ver uma agência de comunicação escolher um nome com tantos significados. Uns óbvios, outros nem por isso.

Actualização: Importa referir que George Orwell inventou essa língua em jeito de crítica pela decadência da língua inglesa. Segundo o Wikipédia, o autor lamentava a qualidade do Inglês da sua época, citando exemplos de metáforas vagas, dicção pretensiosa ou retórica e palavras sem sentido, o que contribuía para ideias difusas e a ausência de um raciocínio lógico.
Sobre o nome escolhido, o João Villalobos explicou no twitter que deriva mesmo do texto de Orwell.

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