É daquelas piadas que se fazem quando chamam a um licenciado de Sr. Doutor: "Só Ângela que Doutores são os médicos". Sr. Engenheiro eu percebo, tiraram o curso de engenharia, Sr. Doutor para os licenciados em medicina também. Mas para os restantes licenciados é um título com um significado mais cultural do que realista. E se pensarmos em inglês, ainda faz menos sentido. Nunca percebi muito bem o que deve pensar um estrangeiro quando vê no perfil de um licenciado o título "Dr. Xpto" e depois vai às habilitações académicas e lê "Degree in Economics". Mas os ingleses sempre souberam simplificar mais a língua do que nós.
Isto para dizer que hoje, ao defender a minha Dissertação de Mestrado, fico finalmente com um título realista "Mestre Ângela Guedes" ou "Ângela Guedes, MSc."
Não que vá passar a usar este título e sei que para o mundo não-académico serei sempre Dra. (e não digo isto com falsa humildade, mas a verdade é que sempre me soou estranho ser tratada assim, sentimento que acredito partilhar com uma boa parte da minha geração para quem a formalidade dos títulos deixaram de fazer sentido).
Mais do que o uso que lhe darei, este grau é a consagração e reconhecimento de 3 longos anos, com algumas revés e paragens pelo meio. Acima de tudo, revejo-me nas palavras da Professora Doutora Cláudia Simões, orientadora juntamente com o Professor Doutor José Carlos Pinho:
"Dou os parabéns à Ângela por ter concluído este percurso. Com todos os constrangimentos que teve, a maioria das pessoas optaria por desistir, mas a Ângela demonstrou aqui grande tenacidade e sempre esteve muito focada no objectivo de terminar este Mestrado".
A verdade é que não ficou um trabalho excelente, ficaram pontas soltas e poderia ser melhorado em alguns aspectos importantes. Mas o objectivo, principalmente quando iniciei a redacção da tese e tive de conciliar vida pessoal (foi no mesmo ano que me mudei para Braga), profissional (estava em estágio profissional, emprego que queria manter) e académica, o meu propósito foi mesmo dar o meu melhor, no tempo que estava disponível e disposta a dar a este trabalho.
Há momentos na vida (principalmente na vida profissional) em que temos de admitir que a luta pelo perfeccionismo pode fazer com que arrastemos um projecto no tempo e nunca o cheguemos a concluir. Há alturas em que temos de assumir a postura de "Getting Things Done!".
Por isso, fico contente por este dia ter chegado e agora só penso em aproveitar, descansar e começar a pôr em prática alguns projectos pessoais que foram ficando para segundo plano. Mas isso é tema para um outro post.






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