quinta-feira, maio 17, 2007

O último deste ciclo que hoje termina

(Há muito que não escrevo nada da minha autoria… acho que hoje dei asas a todos os pensamentos… desculpem o longo texto que se avizinha)

“Já disse que odeio queima?”
Normalmente esta é a frase mais usada quando estamos em pleno coma alcoólico ou quando nos metemos em confusões queimódromas. Mas, de ano para ano, o queimódromo está a perder valor. As memórias dessas noites são as figuras tristes que fazemos ou vemos quem nos é próximo a fazer, relações que se quebram ou são abaladas, os filmes que se fazem de acontecimentos que nem ao diabo lembram.
As únicas noites que verdadeiramente aprecio são o Sábado (o dito Domingo às 0h), porque é o início e achamos sempre que vai correr melhor do que o ano passado (e o Vinho do Porto ingerido no jantar e na serenata turvam-nos a visão); o Domingo da imposição, onde vamos todos contentes pela primeira vez com a cartola e é giro andar pelo recinto a mostrar o nosso orgulho pela casa e pelo nosso percurso, que afinal de contas é isso que a cartola exalta; e a terça por ser a noite pimba, a noite do Quim, das danças e dos comboinhos.
De resto, pouco ou nada o recinto me diz, nem sequer velhos amigos encontramos tal é a confusão no recinto ou falta de rede dos operadores móveis.
Os mais entusiastas desta Semana Académica dizem que é a melhor semana do ano, em que se fazem as maluqueiras todas, até usurpam o slogan de uma bem conhecida cidade americana “o que acontece na queima, fica na queima”. E basicamente porquê? Porque há 500 litros de álcool à nossa disposição, a preços convidativos ou mesmo de borla, que a alguns de nós nos levam a fazer cenas que a sobriedade nos impede de fazer (ou será a consciência?). Normalmente eu só fico assim um dia de queima, pois a ressaca é tal no dia seguinte que não tenho coragem de voltar a por álcool na boca tão cedo. E como nos últimos dois anos isso tem acontecido na terça-feira de cortejo (essa sim, a grande festa académica), quando chego à queima penso “Álcool? Naa….já chega…”. E acho que nisto todos concordam comigo…andar completamente sóbrio da queima não tem piada nenhuma…lol
A cada ano que passa, queima para mim são as actividades académicas: a serenata, a imposição ou o FITA. São esses momentos que me marcam, que me definem como académica, como praxista. Ao contrário do que pensava, não me senti muito saudosista, não transbordei em sentimentos nem encarei estes dias com tristeza e sentimento de fim.
O único sentimento que andou no meu peito durante toda a semana foi orgulho.
Orgulho em mim pois, com todos os erros que cometi (e só os fiz porque vivi ao máximo 4 anos de vida académica) sei que tudo o que fiz foi a pensar que seria o melhor para mim, para o meu Curso, para a minha Casa. Dei o que pude e por vezes o que não deveria ter dado, mas não me arrependo pois cresci muito como pessoa e no fim acho que o balanço é bem mais positivo do que negativo.
Orgulho nos que cartolaram comigo, principalmente na CP, pois foi com vocês que cresci e que vivi a maioria dos momentos. Não vos disse adeus pois espero nunca o ter de dizer pois é sinal que continuam a trabalhar a meu lado por uma praxe melhor e que juntos continuaremos a ter noites memoráveis.
E na senhora veterana…foi dos momentos mais bonitos ver-te cartolar no mesmo dia que eu. Como te disse não há muito tempo, sinto que ainda me tens muito para ensinar e apesar de daqui a uns meses pertencer à tua hierarquia (estranho…) espero que ainda estejas lá para me orientar.
Orgulho na minha madrinha (minha e de mais 4 ou 5 vá…:p). Já te disse, aquando do pedido, o porquê de te escolher. Não fazia sentido ser outra pessoa. Sei que a cartola é um símbolo de licenciatura, mas faz-se segundo a praxe e, sem dúvida, que foste das pessoas que mais me encaminharam nestes últimos dois anos e estiveste sempre presente, quer nos momentos maus, quer nos mais bonitos.
De facto, não transbordei em lágrimas nesta semana, talvez porque me emocione nos momentos menos esperados, ou talvez porque tenham sido para mim momentos alegres e não de despedida e tristeza.
Excepto um. Há um momento que foi verdadeiramente de “Adeus” e que sei que é impossível um dia repetir. Creio que todas nós sentimos isso e talvez por esse motivo as lágrimas tenham caído. Chegamos à lua e, se no fim dessa última noite fiquei sem voz foi por amor a Jornalismo, sim; por amor a Letras, sim; mas acima de tudo por amor, orgulho e gratidão por quem estava a meu lado e à minha frente.
Por fim, orgulho nos que estão abaixo. Apenas peço que continuem o melhor que os mais velhos fizeram e aproveitem os nossos erros para fazerem melhor. Disse muitas vezes este ano que o “poder” em praxe de nada serve se não for usado com sentimento. Se amarmos as serenatas, as noites nos Leões ou na Trindade, as rimas ou as conversas de café, certamente que usaremos as matrículas apenas para ensinar o melhor caminho que os mais novos devem seguir.
Às minhas afilhadas, apenas reforço o que a confusão do cortejo não permitiu: um terceiro ano não se distingue por usar um grelo, mas sim por exercer praxe. Espero que o peso do vosso símbolo vos impeça muitas vezes de errar e que seja com orgulho e sentido de responsabilidade que o utilizem. Não quero ver imitações, mas sim o melhor que aprenderam, mas também o melhor que vocês tiveram para dar.
Este não é o melhor meio para me exprimir, mas todos sabem que me expresso melhor a escrever do que a falar. E como o que aqui está dito foi dito pessoalmente a quem é de direito, apenas sintetizo os pensamentos que noutras alturas não consegui fazer.
Ad Eternum

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