sexta-feira, agosto 03, 2007

Viagem #0

Andava há uns dias a passear na FNAC (um dos meus locais favoritos) e vi uma nova versão daqueles blocos de notas usados por Van Gogh ou Ernest Hemingway, os Moleskine. Nesta nova edição, ao invés de nos depararmos com um bloco de notas em branco, encontramos um mini-guia dedicado a diferentes cidades que tem por finalidade fornecer ao viajante as indicações básicas para poder construir o seu próprio guia de viagens. Cada bloco contém um mapa detalhado da cidade e vários separadores onde podemos anotar os restaurantes que mais gostamos, os locais que nos ficaram na memória, situações vividas que não queremos esquecer, enfim, tudo o que esperamos encontrar num guia de viagens, mas, desta vez, feito à nossa medida. Achei a ideia fantástica e o bloco está de tal forma organizado que nos apetece marcar as próximas férias e começar a redigir o nosso próprio itinerário. O livro que encontrei na FNAC referia-se a Nova Iorque, uma cidade que tive o prazer de visitar e que me deixou completamente fascinada. Antes de lá ir, o meu tio Rui (eterno companheiro de viagens que me incutiu o bichinho por viajar e descobrir novos lugares) disse-nos uma frase que nunca vou esquecer "Quando se chega a NY odeia-se a cidade... quando estamos para ir embora, não a queremos deixar". Creio que a frase não era da autoria dele, mas sem dúvida que é repleta de significado. É uma cidade com uma ambiente, um ritmo e uma vida completamente diferente de qualquer cidade Europeia... É uma cidade que não tem o peso de centenas de anos de história, tudo nela nos soa a moderno, a contemporâneo. Por outro lado, a cidade é tão frenética e alucinante, que os dias mais movimentados no Porto, por exemplo um dia 24 de Dezembro em Santa Catarina, nos parecem a maior das pasmaceiras comparativamente a um dia comum em NY. Este contraste de ritmos é, em parte, responsável por essa duplicidade de sentimento, odiar a cidade à chegada e amá-la à saída. A minha viagem a NY, sem dúvida das cidades que mais me marcaram, será certamente tema de um próximo post, mas apenas me referi agora a ela porque o tal livro Moleskine sobre NY e foi talvez por ter nele encontrado os mapas e as indicações dessa cidade que o formato do livro tanto me agradou. Quando o comecei a desfolhar deu-me logo vontade de lá escrever as minhas vivências na cidade que nunca dorme. Não obstante, na contracapa do livro tinha uma citação de Aldous Huxley, se não estou em erro, que dizia qualquer coisa como "o melhor livro de viagens é aquele que é escrito pelo próprio viajante."

Foi com este meu episódio da FNAC que me surgiu a ideia de criar este blog, uma espécie de diário de bordo de todas as viagens que realizei. A ordem não vai ser a cronológica, mas sim a da memória. Vou começar por relatar as viagens que melhor recordo de forma evitar a fugacidade de algumas lembranças e, deste modo, ser o mais fiel possível à realidade, às experiências vividas.

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